Nota Oficial: Abradisti cobra apuração sobre drones irregulares
Para a entidade, incidente no aeroporto de Guarulhos é a “ponta de um iceberg” de um mercado ilegal de equipamentos que operam sem qualquer controle, colocando em risco a segurança e a infraestrutura crítica do país
A Abradisti (Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação) informa que encaminhou um ofício formalmente nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), à Polícia Federal (PF), à Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para que seja apurada a procedência técnica e a legalidade dos drones que paralisaram as operações do Aeroporto Internacional de Guarulhos no domingo, dia 15.
Para a entidade, tudo indica que o incidente não é um fato isolado, mas a “ponta de um iceberg” de um mercado ilegal de equipamentos que operam sem qualquer controle, colocando em risco a segurança e a infraestrutura crítica do país.
A associação destaca que a paralisação do maior aeroporto da América Latina, que gerou prejuízos operacionais estimados na casa de dezenas de milhões de reais, pode ser o resultado direto da comercialização irregular de produtos, o que muitas vezes ocorre sem homologação da ANATEL e sem o devido registro nos órgãos competentes. Ao contrário dos drones comercializados pelos canais de vendas legalizados, que possuem sistemas de geofencing (cercas virtuais) para impedir o voo em áreas restritas, os equipamentos do mercado paralelo frequentemente operam com essas travas desativadas ou modificadas.
Atuação Judicial e Conformidade Técnica
Em defesa deste mercado, a Abradisti informa que move desde 2025 uma ação judicial contra um grande portal de vendas on-line do País, motivada pela permissividade da plataforma na venda de drones sem certificação e procedência reconhecida.
A associação ressalta que o descumprimento de liminares e decisões judiciais por parte de marketplaces continua a alimentar o risco na aviação civil, violando normas internacionais como a Convenção de Chicago, pelo qual o Estado brasileiro deve garantir a integridade do espaço aéreo nas regiões acessíveis de aeronaves civis.
Além da falha tecnológica nas barreiras de voo, a Abradisti alerta para a falta de rastreabilidade do mercado ilegal. Sem o registro correto, torna-se impossível identificar o importador e o usuário final em casos de incidentes graves, dificultando a responsabilização civil e criminal por danos que podem atingir enormes prejuízos operacionais.
A Abradisti reitera seu compromisso com a profissionalização do setor e continuará a atuar junto às autoridades para assegurar que a comercialização de drones no Brasil seja pautada estritamente pela legalidade, protegendo a sociedade e a infraestrutura do país.
Mariano Gordinho
Presidente-Executivo da Abradisti